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Archive for March 27th, 2011

26 de Março de 2010

O dia começou bem cedo. Eram as 07h quando o telemóvel me despertou para a realidade: É AGORA!

Depois de um banho para ajudar a acordar e um pequeno-almoço reforçado, fiz-me à estrada. Sair de Rubí for mais fácil do que eu pensava. O StreetView do GoogleMaps ajudou-me a criar uma memória fotográfica dos primeiros quilómetros :).

Bora lá Torito...

O céu estava cinzento mas as previsões era para uma ausência de chuva.
O plano para o 1º dia era percorrer a estrada nacional N-340, uma das maiores estradas nacionais de Espanha, até à cidade de VilaFranca del Penedés. Daí seguir até à vila de Santa Oliva e ficar no campismo local.

Os primeiros 10kms foram feitos calmamente. Ainda estava a assimilar a ideia de que de facto estava a dar início a minha aventura. Já não era possível voltar atrás. E assim fui pedalando até que uma subita mudança na geografia, me leva a enfrentar uma subida…mas uma senhora subida.

A lei da gravidade é tramada e o peso de toda a minha carga, parecia-me querer puxar para trás, obrigando-me a esforço que não estava a contar. A velocidades a rondar os 8km/h, lá cheguei ao cume.

487m!!!

Mas como eu costumo dizer: o que se sobe, mais tarde, tem que se descer! E até Vilafranca del Penedés foi sempre de roda no ar (tal é o peso que levo atrás, é fácil de sacar o cavalinho).

Eram as 10h30m e chegava a Vilafranca del Penedés depois de 45km percorridos. Dou uma voltita pela cidade e aproveito ser ainda cedo, para fazer uma pausa para um café e um snack.

Até aqui estava a correr tudo bem, excepto o facto de estrada N-340 ser uma via com muito trânsito e quase sempre a percorrer zonas não povoadas. E este cenário não é bem aquilo que eu procuro. Mas os deuses deviam estar comigo e enquanto tomava o meu café numa esplanada de Vilafrance del Penedés, um homem interpela-me e pergunta-me de onde era; de onde vinha; para onde ía; como ía; etc. O homem queria saber tudo, um castiço :).

Depois de uma animada conversa e antes de se despedir, pergunta-me qual a estrada que vou usar para chegar a Santa Oliva: “N-340???No, no no…eso es muy peligroso!”. Então diz-me que devo ir por uma outra estrada secundária, mais pelo interior, mais tranquila, bom piso e que atravessa uma zona de muitos campos de vinhas. Nice 🙂

Logo no primeiro dia, tenho uma prova do bom que pode acontecer neste tipo de viagem

Sigo as instruções do “amigo” e de facto o panorama muda completamente. Estrada quase sem movimento, bom piso e umas paisagens lindíssimas. O cheiro a uvas paira no ar, o sol decide aparecer e eu sorrio 🙂 Um bom momento.

Este momento é patrocinado pela...

Embalado pela bonita paisagem, depressa chego a Santa Oliva e para meu grande espanto o campismo está fechado. WTF??? «Para próxima telefona…esta foi para aprenderes.»

Breve passagem por Santa Oliva

Decido seguir viagem, mas para meu azar, os próximos dois campismos estão também fechados (período de inverno dizem eles). Começo a ficar um nadinha stressado e com quase 90km nas pernas, decido que vou parar mal encontre um local para montar a tenda e comer alguma coisa que tinha comprado num supermercado uns quilómetros atrás.

Encontro um aglomerado de casas abandonadas, perto de uma mata. Dou uma volta em reconhecimento do território. A “costa” parece estar livre. Monto a tenda e preparo o almoço: uma massa chinesa com cogumelos pretos (instantânea). Estava uma maravilha (isso ou era da fome).

Estava eu na sobremesa, a 3ª banana do dia, quando um homem se aproxima. Chama-se Sérgio, é meio espanhol, meio italiano e por amores, perdeu tudo e vive à 3 anos numa das casa abandonadas. Mas não é o único “ocupa”, numa outra casa está Will, um alemão que perdeu tudo no jogo, em vários casino da costa do mediterrâneo.

Estamos à conversa os três durante alguns minutos até o cansaço e o sono me pedirem descanso. Meto-me no saco-cama e digo: “Até amanhã”.

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