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Archive for May 7th, 2011

30 de Abril de 2011

Depois de alguns dias muito bem passados em Faro, onde aproveitei para retocar a minha imagem pessoal, rapando o cabelo mais uma vez (já o tinha feito no início da viagem) era hora e dia de voltar à estrada. E para meu azar o céu escuro está de volta nesta manhã de sábado. Faço cerca de 10km e as nuvens começam a descarregar. É uma história já contada: muita chuva, vento e eu só pedalo.

E pedalo em direcção a Loulé, onde tencionava visitar a cidade, mas com este tempo, vai ser só de passagem. Quando chego a Loulé é dia de mercado, mas com estas condições meteorológicas, são poucas as pessoas que se atrevam a fazer compras. Eu sigo caminho e na impossibilidade de fazer um almoço ao ar livre, paro numa churrasqueira já à saída da cidade. Consigo deixar a bicicleta abrigada e sento-me à janela.

Dentro do restaurante cheira a frango assado e a fritos. E é precisamente o que eu peço para almoçar: um frango (sim…UM frango) assado e uma travessa de batatas fritas (a salada foi só para enfeitar a mesa). Que delícia…no final um café e deixo-me ficar um pouco até porque lá fora a chuva não dá sinais de abrandar.

Aproveito para consultar o meu mapa. Estou sensivelmente a meio caminho de Albufeira e como é um local que me traz boas recordações, é onde vou ficar hoje.

De volta à estrada molhada, pedalo até Albufeira e só paro quando encontro o campismo. Gostaria de ter feito um passeio à beira mar, mas assim só me resta montar a tenda e esperar que o tempo melhore. Este parque de campismo traz-me imensas recordações. Algumas já ténues, vividas com os meus pais. Outras, ainda frescas de umas férias com amigos de faculdade, vividas à cerca de 10 anos.

Foram umas férias fantásticas. Os tempos eram outros e estudantes quer éramos, partimos para o Algarve com um orçamento que seria colocado à prova todos os dias. Por isso a decisão de acamparmos foi unânime. Eu tinha uma tenda para duas pessoas, a qual partilhei com o Neves. O “Fafe” (João) que trazia com ele uma tenda do género militar, albergava os restantes: Fafe, Esdré (André) e o Pipo (Filipe).

Os dias eram passados na praia e à noite ou pelo campismo ou por duas ocasiões, no centro de Albufeira na zona dos bares.

Como histórias engraçadas, temos por exemplo a origem da nova alcunha que o Filipe ganhou no final das férias. Foi assim: logo no primeiro dia estava um dia de muito calor e era perto do meio-dia quando chegámos ao campismo e o que decidimos fazer depois, foi no mínimo, imprudente! “E que tal se fossemos à praia?”. Parece uma ideia boa, certo? Não quando é perto da uma hora, o sol está a pique e são cerca de 3km até à praia. Resultado: alguns de nós ficaram com algumas queimaduras do sol, em particular o Filipe nos pés…e assim ficou para a memória de todos nós, naquelas férias, o “Pipo pés cozidos”!.

Outra história engraçada aconteceu numa tarde em que decidimos ficar pela piscina do campismo. Enquanto nos abrigávamos debaixo de um chorão (salgueiro-chorão) do sol forte no princípio de tarde, ao nosso lado, um grupo de italianos entretinha-se com outros afazeres. Um deles “enrolava”, outro “distribuía” e o restante grupo dava umas “passas”. Para nosso azar (ou sorte) o vento empurrava o fumo que os italianos emanavam para o ar, precisamente na nossa direcção. Ora bem, depois de algum tempo a respirar aquele ar poluído, o Neves já se ria muito, mas mesmo muito :D. Aliás, todos nós de repente nos sentíamos muito alegres e bem dispostos. Foi um momento muito divertido e que ainda hoje, nos faz rir, mas desta vez em ambiente 100% ar puro.

Gostava de colocar aqui uma imagem daquelas férias, mas naquele tempo, a palavra digital ainda era pouco usada. E para terem uma ideia, a única máquina fotográfica que usámos, foi uma daquelas descartáveis que comprámos numa loja em Albufeira. Tempos diferentes…

Pelo menos quando me preparo para montar a tenda, a chuva deu tréguas. E depois de já estar instalado, dou uma volta pelo parque de campismo. Dizem que “recordar é viver” por isso sinto-me vivo e feliz pelo presente mas também por um passado que ali vivi, muito feliz.

Até amanhã.

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27 de Abril de 2011

Acordo do meu primeiro sono português e estou muito bem disposto. Os meus vizinhos de campismo, um casal de reformados de Lisboa, trocaram um apartamento no centro, por uma caravana com um super hiper mega avanço, o que faz com que no total tenham uma área de habitação maior do que muitos apartamentos que eu já conheci. É um casal muito simpático, pena que já esteja a arrumar as minhas coisas.

Depois do pequeno-almoço, despeço-me dos “lisboetas” e com mais um dia de sol, parto para mais um dia, o 2º em Portugal. O destino é a cidade capital do Algarve: Faro.

Estes primeiros quilómetros em Portugal trazem-me muitas recordações. Pedalo para já, na famosa estrada nacional 125 (N125) que percorre toda a costa algarvia. Sinceramente, julgava que o tráfego seria maior. Vou tendo alguns flashbacks ao passar por certos sítios, como um restaurante ao pé da estrada, que tenho quase a certeza já ter frequentado outrora. Tal como eu dizia, pedalar em Portugal seria diferente, não obrigatoriamente menos interessante mas diferente.

Levo duas ou três buzinadelas porque como vou muito distraído, desvio-me em demasia da berma. Tento concentrar-me um pouco mais na estrada.

A minha primeira paragem é em Tavira e para comer. Os sucessivos restaurantes perto da estrada, com frango assado para fora, deixaram-me perto de um ataque de “penas”. Já tive várias vezes em Tavira, a última delas apenas de passagem, aquando de umas férias em Marbelha. Logo, o interesse é meramente de matar a fome e seguir caminho.

Na esplanada de um café perto da Ria Formosa, sirvo-me de dois rissóis de carne e um fino :). Humm…é bom estar de volta. Enquanto devoro aquele pequeno miminho, estou atento às conversas em meu redor. Não porque gosto de ouvir a conversa dos outros, mas porque o sotaque algarvio é muito engraçado e estou num jogo em que as regras são bastante simples: tentar perceber o que aquela gente diz. O princípio é sempre muito fácil – quase todo o algarvio começa uma frase da seguinte maneira: “Escuta (…)” – o resto é que se torna mais complicado. O “não” transforma-se em “nã” e outras derivações deveras complexas são aplicadas em tempo real e de uma forma consecutiva. No final, julgo sair perdedor, pois de uma conversa de 20m, só consegui perceber que uma das pessoas estava desempregada e a outra que ontem tinha perdido um episódio da novela.

Depois do jogo, sigo o caminho e aproveito os restantes quilómetros até Faro para praticar o meu “algarvio” falado. Sei que foi um mini-curso intensivo de 15 minutos, mas tive atento a aula toda. “Escûta………Tû nã vês ca quêle moço ali, nã presta pra ser tê hóme!!!”. Acho que tenho uma vocação natural para isto :). Não me levem a mal algarvios, amanhã estou a brincar com o sotaque dos alentejanos e depois vêm os lisboetas…

Ao passar por Olhão, comunica à minha anfitriã onde estou. Sim, anfitriã. Em Espanha não pude escolher e saiu um meio espanhol meio inglês, mas agora estou em território nacional e já me oriento melhor. As ordens que recebo são de ir em direcção à casa dela.

Chego a Faro mesmo à hora do almoço e depois de alguns enganos, dou com o apartamento, localizado mesmo, mas mesmo em frente à estação de comboios de Faro, com vista para a Ria Formosa e para o aeroporto de Faro. É só movimento.

À minha anfitriã vamos chamar de…”Joaninha”, nome fictício. É uma grande amiga de Braga e para terem uma noção do tipo de pessoa que estamos a falar, as duas primeiras frases que ela me disse foram: 1ª frase: “E eu não bebo, cara%&#!!!” – isto num jantar de aniversário de uma amiga em comum, depois de eu ter servido vinho a algumas pessoas que eu conhecia e que estavam perto de mim; 2ª frase: “Só isto, fod#$$&?!?!” – isto depois de eu apenas ter, digamos, enchido 1/3 do copo da Joaninha. Como podem calcular, foi amor não à 1ª vista, mas sim, à 2ª frase :).

A Joaninha (faz que) trabalha na Universidade de Faro, como aluna de Pós-Doc. A menina é inteligente.

Pouco depois de eu chegar ao apartamento, chega ela e uma colega de laboratório. Depois dos “olás” e beijinhos, vamos os três almoçar ao Fórum Algarve – o shopping de Faro. o almoço é rápido, pois as meninas têm que voltar para a faculdade.

Já em casa, arrumo as minhas coisas e depois de um banho, deito-me no sofá. Está um belo dia de sol e talvez a praia merecesse uma visita, mas estou a gostar desta tarde em sossego, só interrompido pelo barulho dos comboios.

O resto da tarde é passada entre o programa de televisão “Tardes da Júlia” e sempre que um comboio chega, assomar à janela e ver aquele ritual de pessoas a sair e outras a entrar do comboio, para depois partir novamente até ao próximo destino.

Quando a Joaninha chegou, fomos às compras para o jantar. Uma das condições para eu poder ficar em casa dela, é que teria que cozinhar para ela. Mas como eu cozinho com e por prazer, acho que esta sociedade vai correr bem. Preparo uma das minhas especialidades: arroz de marisco. É justo referir que tive uma preciosa ajuda da minha assistente no corte da cebola. No final estava óptimo e o Muralhas não faltou a acompanhar o pitéu. A sobremesa foram morangos.

Ambos cansados, deixámos-nos ficar por casa depois do jantar. Mas não significa que não se beba um digestivo – martini com 7-Up – bebida predilecta de ambos.

E assim terminou o primeiro dia na capital do Algarve, muito bem passado e com a minha anfitriã a receber-me em casa dela com muito carinho. Obrigado :).

Até amanhã

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