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Archive for May 12th, 2011

3 de Maio de 2011

Foram dois dias em família, onde posso dizer que tirei a barriga de misérias. O meu primo Sérgio e o resto da família, preocuparam-se em garantir que nada me faltava – quer atenção, quer muita comida – e eu não me fiz rogado.

Fica a promessa de voltar, noutras condições e ficar por mais dias. Por isso ainda não me despedi e já estou com saudades.

O plano para hoje é chegar a Sagres e conquistar mais um ponto épico: o Cabo de São Vincente, o ponto mais a sudoeste do continente europeu. Deste ponto vai ser sempre pedalar com direcção a norte, ora pela costa, ora por regiões mais interiores do continente.

Hoje não chove e pude ver na televisão que as previsões meteorológicas para os próximos dias é de ausência de chuva. Nice…

Despeço-me dos meus anfitriões em Lagos, mas o meu primo Sérgio faz questão de mostrar a saída da cidade, com o carro de “empresa” dele…um carro da Polícia :). É a primeira vez que tenho direito a escolta policial nesta viagem…e na minha vida.

Sigo pela estrada nacional 125 que atravessa todo o Algarve. Mas noto que à medida que deixo Lagos para trás, o trânsito é muito pouco e a paisagem é dominada por zonas rurais.

Antes de chegar a Sagres decido fazer uma paragem da Vila do Bispo. No pequeno centro da vila, paro junto à igreja e numa esplanada de um café, bebo uma coca-cola. Não vejo nenhum movimento, tanto de pessoas como de carros.

Decido deixar a muito sossegada Vila do Bispo e seguir caminho. Um pouco antes de chegar a Sagres, reparo numa linha pintada de azul na berma da estrada. De uma forma intercalada, a linha é preenchida pelo símbolo de uma bicicleta, e aí percebo do que se trata.

Esta linha azul é a indicação da conhecida Ecovia do Litoral – Algarve.

As Ecovias do Algarve são uma infra-estrutura vocacionada para a utilização preferencial de bicicleta. Inserem-se num esquema director definido para o Algarve, esquema esse que é constituído por 4 eixos principais: Ecovia do Litoral, Ecovia do Guadiana, Ecovia da Costa Vicentina e Ecovia do Interior.
A Ecovia do Litoral percorre todo o litoral do Algarve numa extensão de 214Km, desde o Cabo de S. Vicente (Vila do Bispo) – km zero – até Vila Real de S. António, atravessando 12 concelhos. O desenvolvimento do projecto resulta de uma parceria entre a Comunidade Intermunicipal do Algarve (AMAL), a Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Algarve e o Instituto de Conservação da Natureza e Biodiversidade – Parque Natural da Ria Formosa.

In Ecovias do Algarve

No site acima também é possível ler que: “(…)A Ecovia do litoral tem um investimento associado de cerca de 4,3 milhões de euros, que são financiados a 75% por 3 tipos de programas(…)”. Eu não me vou alongar em comentários sobre esta ecovia. Apenas dizer que na minha opinião, investir 4,3 milhões de euros e no final pintarem uma lista azul na berma da estrada – a qual em certas partes da ecovia, com o imenso transito, já não se nota – parece-me muito pouco ou então a tinta azul é mais cara que as restantes!

Chego a Sagres pela via “azul” e rápido fico impressionado pela grandeza e imponência dos aglomerados de rocha. Aqui é o fim de Portugal…Numa praia estão várias surfistas enquanto outro grupo decidiu ficar pela esplanada de um bar, a conversar e a beber uma cerveja. Dou uma pequena localidade e gosto do que vejo. Respira-se sossego e bem-estar.

Reparo numa placa com indicações para a Fortaleza de Sagres e parece-me um bom local para almoçar as minhas duas sandes de leitão que a mulher do meu primo Sérgio, a Dora, me preparou esta manhã antes de partir de Lagos.

Na Fortaleza de Sagres a panorâmica da costa é deslumbrante, com destaque para as enseadas de Sagres; o cabo de São Vicente e a imensidão do Oceano Atlântico. A própria fortificação e as suas imediações, integradas no Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina, oferecem a possibilidade de um olhar próximo ao património natural da costa, especialmente no que se refere à flora, abrigando algumas das espécies mais representativas da região.

Quase sempre, uma refeição num restaurante que tem uma fantástica esplanada, sai caro, muito caro. Eu delicio-me com as duas sandes de leitão e com esta paisagem única e fantástica da minha própria esplanada para o Oceano Atlântico…e não pago nada por isso.

O almoço apesar de ser pequeno, dura imenso tempo. Descubro o mais que posso da Fortaleza e quando acabo a visita, sigo em direcção ao parque de campismo de Sagres. O parque fica localizado numa extensa planície mas bem protegido dos ventos fortes constantes, habituais nesta região, por uma densa mata. O preço é muito acessível e as condições são bastante razoáveis. O acesso wireless é mais uma vez limitado à esplanada do restaurante/bar.

Para amanhã de manhã fica agendado visita ao cabo de São Vicente e a assim “conquistar” mais um ponto histórico nesta viagem.

Até amanhã.

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