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Archive for May 16th, 2011

5 de Maio de 2011

Ao acordar apercebo-me que estou, novamente, sozinho em casa. Nem tive a oportunidade de agradecer ao Sylvain e despedir-me. Como eu já tinha dito: estranho este rapaz.

Tento deixar tudo arrumado e fecho a porta. Depois de um dia muito difícil, hoje não sei como o meu corpo vai reagir. A etapa de ontem apesar de ter sido muito exigente em termos físicos, foi de um regalo para a vista. O Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina (PNSACV) oferece paisagens maravilhosas. Hoje ainda tenho alguns quilómetros dentro parque pelo que só por isso já começo o dia bem disposto.

Se ontem foram os burros e um cavalo, os animais que encontrei; hoje encontro uma manada de vacas. Mas ao contrário de ontem, não me aproximo dado que este animal não me transmite muita, ou quase nenhuma, confiança. Tiro algumas fotografias e sigo caminho.

Logo pela manhã temos a subida do dia. Mas mais uma vez, o cenário envolvente é imensamente bonito e o esforço físico nestes casos, passa para segundo plano. Estou tão envolto nas paisagens de tons verde e numa natureza tão pura, que não me apercebo dos quilómetros passarem e Silves surge de repente diante de mim.

Às portas da cidade existe uma grande presença de indústria. São inúmeras as fábricas e a azáfama de camiões que entram e saem é enorme.

Mas Sines não é só indústria. Como cidade costeira, tem uma bonita praia de areia clara e fina. Dirijo-me ao centro da cidade para almoçar. Encontro um parque e decido por comprar pão e aproveitar alguns enlatados que trago comigo, para fazer uma espécie de picnic. Em torno do parque consigo ver três pastelarias. Entro na primeira: “Queria pão.” – “Não temos(…)”. Estranho. Entro na segunda: “Tem pão?” – “Não senhor…só sandes de fiambre, queijo ou mistas para comer aqui.”. Tento a terceira que por acaso tem o nome de “Pão Quente”. Se uma pastelaria com este nome não tem pão…não vou encontrar pão em lado nenhum. Mas a pastelaria faz jus ao nome e finalmente encontro o pão que tanto procurava.

Com o meu precioso pão, preparo o meu picnic: sandes de pão com paté; lata de salada de massa com atum e bananas. Fico muito satisfeito e deito-me na relva, à sombra de uma árvore.

Depois da quase siesta, é hora de voltar à estrada e começar a pensar num sítio para ficar esta noite. Depois de um par de horas a pedalar, chego a Vila Nova de Santo André. Não sei porque mas o nome soa-me a familiar, mas não me recordo de ter cá estado alguma vez.

É uma pequena cidade e vejo indicações para a Lagoa de Santo André. Parece interessante e decido investigar. Tratasse de um extenso lençol de água, ladeado de mantos de areia fina. Uma obra prima da natureza. Para tornar a Lagoa de Santo André um local privilegiado para quem procura a natureza, a Câmara Municipal de Santiago do Cacém promoveu a desocupação da duna primária da Costa de Santo André do caos urbanístico que se agravou na década de 1970 durante a vigência do Gabinete da Área de Sines, criando um novo loteamento destinado a realojamento das famílias até então residentes na duna. A Lagoa de Santo André constitui um ponto estratégico para a estadia, passagem e nidificação de muitas espécies de aves migratórias. Foi declarada pelo estado Português a Reserva Natural das Lagoas de Santo André e da Sancha a 22 de Agosto de 2000.

É uma zona que apesar da sua enorme beleza e com uma praia tão magnífica quanto a lagoa, não sofreu a invasão do turismo que seria de esperar num local tão único. E isso agrada-me imenso e acabo de encontrar o meu local para esta noite.

Um pouco depois de Vila Nova de Santo André e antes da praia da Costa de Santo André, várias matas erguem-se mesmo ao lado da estrada. Não preciso de procurar mais. Monto a tenda e aproveito o resto de tarde e noite, simplesmente a viver a natureza que me rodeia e uma paz enorme. O sono vai ser, com certeza, muito bom.

Até amanha.

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