Feeds:
Posts
Comments

Archive for May 25th, 2011

6 de Maio de 2011

Como já esperava dormi muito bem e cada vez mais sou um fã do campismo selvagem. Sendo sexta-feira e estar relativamente próximo de Lisboa, parto de Vila Nova de Sto. André com essa meta na cabeça: a capital.

Está um dia esquisito. O céu está parcialmente nublado e apesar do sol não se mostrar, está calor e sinto muita humidade no ar. Esta zona que agora percorro não é muito habitada. Algumas pequenas localidades comprovam que aqui à vida, embora esta manhã ainda não tenha visto ninguém. Isso só acontece quando paro um pequeno café para comprar água. Mas o senhor que me atende não está para grandes diálogos e depois de eu pagar o que devo, “desaparece” nas traseiras do café. Mato a sede e continuo a minha travessia do pouco que ainda me resta da costa alentejana.

Para chegar à margem sul do rio Tejo tenho duas opções: ou sigo em direcção a Alcácer do Sal, contornando o estuário do rio Sado, viajando sempre por terra; ou então sigo em direcção à península de Tróia e depois de barco, atravesso o estuário do rio Sado. Decido pela segunda opção pela curiosidade da travessia de barco :).

Já entrei na península de Tróia e é engraçado reparar, nos pontos mais altos, que estou rodeado de água. Quando já consigo deslumbrar ao longe a cidade de Setúbal, vejo as indicações do local de partida e chegada do ferry-boat que faz a ligação Setúbal Península de Tróia. O serviço de transporte fluvial está entregue à empresa “Atlantic Ferries”. Depois de comprar o bilhete, chego ao local de embarque onde já se encontram alguns automóveis…o ferry não deve demorar.

Passados cerca de 10 minutos já vejo o barco. O verde vivo que cobre toda a embarcação chama a atenção “a milhas”. O ferry depois de atracar e de se imobilizar por completo, baixa uma rampa e os automóveis e pessoas que transporta, abandonam a embarcação. Agora é a minha vez.

Entretanto o céu está limpo e o sol brilha com intensidade. As águas estão calmas e depois de todos estarem a bordo, o ferry começa a navegar em direcção a Setúbal. São cerca de 20 minutos muito descontraídos onde aproveito para com a ajuda do meu mapa, traçar mentalmente o meu trajecto mal chegue a terra.

De novo com os pés em terra, sigo o meu caminho, sempre em direcção ao norte. Mas pela frente tenho um “alto” desafio que dá pelo nome de Serra da Arrábida. Como o próprio nome, é uma serra situada na margem norte do estuário do Rio Sado, na Península de Setúbal, com o ponto mais alto a 501 metros de altitude. Não atinjo o ponto mais alto da serra mas ainda assim é um trajecto muito íngreme, expondo toda a sua beleza natural.

Conquistado o ponto mais alto da serra, agora o trajecto é bem menos sinuoso e plano. Aproveito para fazer uma pequena pausa e entrar em contacto com um amigo de faculdade que vive agora em Lisboa. O João Pedro é natural da Telhada, Figueira da Foz e vai estar por Lisboa durante o fim-de-semana e está disponível para me receber em casa dele. Com lugar para ficar resta-me seguir caminho em direcção à cidade do Barreiro, onde tenho barco para atravessar o rio Tejo – do outro lado é Lisboa.

O dia já vai longo e o cansaço começa a fazer-se sentir. As nuvens cobrem agora o céu e a chuva parece iminente. O serviço de transporte fluvial está entregue às empresas: “Transtejo” e “Soflusa”. Para minha sorte ao chegar ao terminal está um barco (catamarã) prestes a partir. Compro o bilhete a “pedalar” e por segundos consigo embarcar. Depois de arrumar a bicicleta num espaço próprio para o efeito, sento-me e lancho uma banana e umas bolachas.

A viagem é curta mas ainda assim o tempo suficiente para eu “passar pelas brasas”. Acordo com o alvoroço das pessoas a desembarcar. Finalmente estou na capital de Portugal: Lisboa. À minha frente tenho agora a Praça do Comércio, mais conhecido por Terreiro do Paço e em plena praça, decorre um espécie de comício ao ar livre do Partido Comunista Português (PCP). Uma voz que me soa familiar ouve-se por entre a pequena multidão, mas não consigo ver a pessoa.

Depois de atravessar quase toda a praça, consigo finalmente ver a pessoa que num pequeno palanque discursa, num tom sério: A inconfundível e incontornável, Odete Santos. Não presto atenção ao seu discurso mas apenas para a personagem única que é esta senhora. Parece uma actriz cujo papel é representar no palco da realidade. Cada gesto, cada palavra, cada olhar, parece encenado e tirado de um guião escrito pelos deuses da representação.

Depois do “Odete Santos Show” sigo o meu caminho. Tenho a morada do meu anfitrião e pelas informações que consigo obter de um polícia da cidade, a casa dele não fica longe. Mas para quem já percorreu quase uma centena de quilómetros, o “pouco” começa a parecer muito.

Levo cerca de 30 minutos a chegar ao meu destino para a etapa de hoje. Porém o meu anfitrião: João Pedro só chega a casa pelas 19h, ou seja, tenho pela frente cerca de 2 horas de espera pela frente.

Sento-me numa esplanada e bebo uma coca-cola e escrevo no papel algumas destas palavras. Entretanto o tempo piora e decido voltar para perto da casa do João. Estou à chuva e começo a sentir algum frio. O meu anfitrião não poderia ter um timing mais oportuno para chegar a casa. Deixo a chuva e o João ajuda-me a transportar a minha bagagem para o 2º andar onde ele vive com mais três inquilinos.

Finalmente estou instalado e agora é tempo de descanso depois de mais uma etapa longa, mas onde mais uma vez atingi a meta traçada no início do dia.

Até amanhã.

Read Full Post »