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Archive for July, 2012

12 de Maio de 2011

Apesar de estar muito bem instalado, na casa de gente muito boa, esta foi provavelmente a pior noite da minha viagem. A maldita inflamação na garganta não deu tréguas e com ela veio a febre e uma noite na qual pouco ou quase dormi.

Arrumo o quarto e desço onde já me espera o casal Policarpo. Há minha espera está um pequeno-almoço digno de um rei. Mas infelizmente tenho que fazer a desfeita e contra a minha vontade, não consigo comer nada. Apenas bebo água para hidratar um pouco, pois avizinha-se outro dia bastante quente.

As despedidas são novamente em tom de “até já”. Insistem comigo para ficar mais um dia e só partir depois de melhorar, mas estou decidido a visitar um médico o quanto antes e seguir caminho. Aconselham-me parar no centro de saúde da vila da Benedita (6km distância), local que também já conheço.

A viagem é curta e na vila é dia de feira e como tal, o centro de saúde está com a sala de espera cheia de utentes. Na recepção trato da papelada e as duas simpáticas meninas depressa mostram curiosidade pela natureza da minha viagem; aproveito uma cadeira livre mesmo ao lado do balcão e enquanto espero pela minha vez, explico ao pormenor o que é o 2B’s até ao preciso momento que me fez visitar o centro de saúde da vila da Benedita. Como não tenho consulta marcada, nem tão pouco sou utente, a espera é proporcional ao número de pessoas que enchem por completo a sala de espera e só quando todas as cadeiras e alguns lugares em pé ficam livres, uma das meninas me diz que o médico vai receber-me. A consulta é rápida e o diagnóstico/tratamento resume-se a uma receita de antibióticos para tratar a maldita inflamação na garganta. Ao despedir-me das recepcionistas, dou a entender que gostaria de tirar uma fotografia com elas, mas para meu espanto, envergonhadas, negam! Acreditem que dariam outra cor a este blogue, em que geralmente só surgem fotografias, ora de paisagens ora de um gajo em lycra a pedalar como um tolo…

À saída da vila encontro uma farmácia e atentamente ouço as instruções do farmacêutico para não facilitar o tratamento a esta maldita inflamação na garganta. Depois do primeiro comprimido é hora de voltar ao caminho. E sem dar por isso, já é quase hora de almoço :). Consulto o meu mapa e como o dia já vai quase a meio, decido que hoje vai ser uma etapa curta: almoço em Alcobaça e destino final o parque de campismo Orbitur da Nazaré. O regresso à costa.

O caminho até Alcobaça é quase na sua maioria a descer e hoje em particular, agrada-me. Não estou para esforços e sinto o cansaço de uma noite mal dormida. Chego a Alcobaça num piscar de olhos e ao entrar na cidade nenhuma recordação me vem à memória. Desconfio que seja a primeira vez que visito esta cidade.

A cidade de Alcobaça tem cerca de 18 mil habitantes e é o segundo concelho mais populoso da Comunidade Intermunicipal do Oeste e do distrito de Leiria. Composta pela freguesias de Alcobaça e parte das freguesias de Évora de Alcobaça, Prazeres (Aljubarrota), Maiorga e Vestiaria, Alcobaça deve o seu nome aos rios Alcoa e Baça, pelos quais é banhada, aglutinação de nomes que está longe de ser consensual entre a população. Deixo-me percorrer sem rumo pelas ruas da cidade e reparo que muitos grupos de turistas visitam a cidade, alguns deles estrangeiros. E como turista que sou, quero ver e saber que monumento encontro por acaso – nada mais nada menos que o um dos maiores patrimónios edificados da cidade: o Mosteiro de Santa Maria de Alcobaça, também conhecido como Real Abadia de Santa Maria de Alcobaça ou mais simplesmente como Mosteiro de Alcobaça.

O Mosteiro de Alcobaça é a primeira obra plenamente gótica erguida em solo português. A sua construção teve início em 1178 pelos monges de Cister. Está classificado como Património da Humanidade pela UNESCO e como Monumento Nacional, desde 1910. Em 7 de Julho de 2007 foi eleito como uma das sete maravilhas de Portugal. Em 1834 os monges foram obrigados a abandonar o mosteiro, na sequência da expulsão de todas as ordens religiosas de Portugal durante a administração de Joaquim António de Aguiar, um primeiro-ministro notório pela sua política antieclesiástica.

Fachada principal do Mosteiro


Fachada norte do Mosteiro


Dormitório, metade sul


Túmulo de D. Pedro, pormenor


Túmulo de Inês de Castro


Claustros do Rachadoiro e da Levada, lado norte

O monumento é imenso e merece, obrigatoriamente, uma visita assim como a própria cidade. A decisão de almoçar por aqui, não podia ter sido mais acertada.

A maldita inflamação na garganta finalmente está a deixar-se vencer pelo poder dos antibióticos e posso novamente, ainda que aos poucos, comer de tudo! Terminado o almoço volto à estrada. O parque de campismo Orbitur da Nazaré está a pouco mais de 10km de distância e assim, fico com muito tempo para repousar e recuperar completamente.

O parque de campismo fica a 2 Km da Nazaré, situado no topo que antecede o centro da vila, tem óptimas sombras devido à sua localização num belo pinhal. E hoje é o meu dia de sorte no que toca à simpatia feminina. Depois da dupla na recepção do centro de saúde da Benedita, a recepcionista do parque de campismo é um exemplo de bem receber. Prolonga-se em explicações e informações sobre a vila e locais de interesse, sem deixar de ao mesmo tempo mostrar curiosidade pela minha odisseia em duas rodas.

Instalo-me junto de algumas auto-caravanas e tendas; depressa travo conhecimentos e a conversa torna-se fácil. Tenho ajuda para montar a tenda e tenho até direito a uma cerveja da Bélgica, gesto de boas vindas dos meus vizinhos Belgas: “La bière est très bonne, merci!”. São cerca das 15h e o campismo está quase despido de pessoas, uma paz e serenidade invade todo o espaço verde do parque…deixo-me “cair” na tenda e em questão de segundos, estou num sono profundo.

[cerca de 4horas depois…]

Acordo com a chegada da praia dos vizinhos Belgas – mas que bela soneca :). Tomo um banho e vou às compras no supermercado do parque para preparar o jantar. Massa com atum e molho de tomate: uma delícia!

O dia está a acabar e fico feliz pela maldita inflamação na garganta ter quase desaparecido por completo. A noite vai ser bem passada com certeza.

Até amanhã

PS: usei a expressão “maldita inflamação na garganta” 6 vezes!

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